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Jornal iTEIA

07.10.2011 - 09h41

VII Festival de Teatro de Fortaleza (CE)

Luciano Sá e Helena Félix/ Ascom Centro Cultural Banco do Nordeste - Jornal iTeia

O VII Festival de Teatro de Fortaleza – A Cidade como Palco, realizado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Secultfor, estreia na segunda-feira (10/10) com um cortejo marcado por intervenções artísticas que sai da Praça José de Alencar, às 9h. A primeira noite do festival traz para o Theatro José de Alencar a “Ópera dos Vivos”, espetáculo da Companhia do Latão (SP), a partir das 19h.

Finalista do prêmio da revista Bravo! na categoria de melhor espetáculo do ano, a “Ópera dos Vivos” resulta de dois anos de pesquisa da companhia, combinando teatro, música e cinema para abordar a produção cultural dos anos 60 até os dias atuais, tendo como fio condutor uma reflexão sobre a mercantilização do trabalho artístico atual e sua ideologia.
O espetáculo é a consolidação de várias experiências em audiovisual iniciadas pelo grupo em meados de 2007, seguidas de uma ampla pesquisa que envolveu entrevistas com mais de 30 artistas dos anos 1960, tais como Chico de Assis, João das Neves, Helena Ignez, Nelson Xavier, e teóricos também. Além das entrevistas, na construção do texto, o diretor Sérgio de Carvalho, atores e equipe técnica se dedicaram a um intenso trabalho de leituras e experimentos cênicos.

A dramaturgia dialoga com elementos que marcaram a cultura brasileira no período do golpe militar, como o Cinema Novo de Glauber Rocha, a experiência do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), e a Tropicália, para citar algumas referências. Entre as muitas sendas abertas ao longo da pesquisa, o ensaio "Cultura e Política", de Roberto Schwarz, serviu de bússola para a fase final da pesquisa.
O espetáculo é composto por quatro atos com títulos irônicos – Sociedade Mortuária, Tempo Morto, Privilégio dos Mortos e Morrer de Pé - que poderiam ser apresentados de forma independente, mas que, interligados, dialogam por oposição, compondo um panorama representativo do trabalho da cultura nos últimos 50 anos do Brasil, antes e depois do golpe militar. 

O espetáculo tem duração de 4h30mim e, devido ao seu caráter intimista, exige limitação no número de espectadores. No Theatro José de Alencar, os 100 convites disponíveis serão entregues gratuitamente por ordem de chegada, uma hora antes da apresentação. Haverá uma reapresentação na terça-feira, dia 11 de outubro, a partir das 19h, também no TJA, para a qual vale o mesmo procedimento de acesso. 

Além da Companhia do Latão, mais 30 apresentações  gratuitas de grupos locais acontecem de 10 a 16 de outubro pelos mais diversos bairros e espaços públicos da cidade, incluindo escolas públicas, Centros Municipais de Referência e Assistência Social (CRAS), praças localizadas em territórios com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Oficinas, debates e  ações formativas também estão em pauta. O objetivo da Prefeitura de Fortaleza é garantir o acesso de quem costumeiramente não frequenta as salas de espetáculo e o circuito das artes cênicas, aproximando arte e cotidiano.

O VII Festival de Teatro de Fortaleza é resultado de um diálogo direto e sistemático entre o poder público municipal e o Fórum de Teatro, contando com as parcerias das secretarias municipais de Educação e Ação Social e com o patrocínio da Caixa Econômica Federal, além dos apoios do Theatro José de Alencar, Centro Cultural Banco do Nordeste, Serviço Social do Comércio do Ceará (Sesc-CE), Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ), Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC) e Governo do Estado de Ceará, através da Secult.

 “O Festival de Teatro de Fortaleza tem hoje a feição que a classe teatral organizada deseja. É fruto direto da reflexão, crítica e ação compartilhadas entre poder público e artistas. E isso é uma conquista política tão importante quanto o próprio evento”, pontua a Secretária de Cultura de Fortaleza, Fátima Mesquita. Confira a programação completa.

Sobre a Companhia do Latão
É um grupo de pesquisa teatral fundado em 1997. Dirigida desde sua origem por Sérgio de Carvalho, o grupo tornou-se uma referência para o teatro de São Paulo no que se refere à pesquisa estética avançada e politização da cena. Realizou diversos espetáculos de importância histórica, entre os quais O Nome do Sujeito (1998), Santa Joana dos Matadouros(1998), A Comédia do Trabalho (2000), Visões Siamesas (2004) e O Círculo de Giz Caucasiano (2006).

O grupo encenou neste período diversos experimentos teatrais e videográficos, alguns deles exibidos pela televisão, como Valor de Troca (TV Cultura, 2007) e Ensaio sobre a Crise (TV Brasil, 2009). Tendo intensa produção teórica, a Companhia do Latão se dedica também ao trabalho editorial regular, com a revista Vi ntém e o jornal cultural Traulito.

O grupo lançou, nos últimos anos, três livros: Companhia do Latão 7 peças (Cosacnaify, 2008), Introdução ao Teatro Dialético (Expressão Popular, 2008) e Atuação Crítica(Expressão Popular, 2008). Em 2007, o diretor Sérgio de Carvalho foi convidado pela Casa Brecht de Berlim para falar sobre a experiência do grupo com teatro épico-dialético. Em 2008, a montagem de O Círculo de Giz ganhou, em Havana, o prêmio de melhor espetáculo estrangeiro, concedido pela União dos Escritores e Artistas de Cuba.

Publicado por: João Paulo Seixas em 07.10.2011 às 09h20
Tags: teatro, ceará, jornal iteia, festival de teatro de fortaleza
Canais: Teatro

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