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Jornal iTEIA

26.11.2015 - 15h32

Mestres exaltam força das tradições populares; audiovisual e fórum de cultura também são destaques

da Assessoria

ampliar Alejandro Garcia

Foi só Quitéria aparecer que a criançada abriu aquela gargalhada e, de repente, uma onda de alegria tomou conta do Circo Mestre Solon, montado na Estação do Forró, dentro da programação do 9º Encontro das Culturas Populares e Tradicionais nessa quarta-feira (25). Quitéria é especialista na arte de fazer sorrir. Com vestido rendado, batom cor de carne e largos olhos ela foi criada por Gilberto Souza Lopes, 36 anos, mamulengueiro natural de Glória do Goitá, na Zona da Mata pernambucana. Há 15 anos no ofício, o artista popular segue a tradição herdada pelo pai.


Foi com a ajuda dessa herança cultural que a boneca Quitéria nasceu, juntamente com mais de 40 mamulengos criados pelo mestre Gilberto para compor a trupe Arte da Alegria que se apresentou em Serra Talhada na tarde dessa quarta encantando a todos. “O mamulengo é bom demais, eu busco com isso passar mensagens positivas para a criançada, de dizer não às drogas, não à violência, de respeitar um ao outro, é um coisa que faço com um amor danado”, desabafou mestre Gilberto, acompanhado de perto pela esposa e parceria na arte do mamulengo, Edjane Lima, 31 anos.


Juntos, eles ajudaram a fundar a Associação dos Mamulengueiros de Glória do Goitá, que atualmente tem dezenas de filiados. A tradição popular também fez uma tatuagem na alma do mestre de maracatu rural, Luiz Caboclo, 57 anos, do Estrela de Ouro, de Aliança, outro da Zona da Mata de Pernambuco. Seu Luiz, como gosta de ser chamado, pôs na brincadeira o filho, Willas Luiz da Silva, de 22 anos, os netos, Welles Silva, 15, e Anderson Silva, de 12, além da nora, Aline Cristiane, de 24.


E foi com a família unida em favor das tradições do seu povo, que o mestre Luiz Caboclo encheu o pátio de eventos de cores e energia, sem preocupar-se com o peso de cerca de 20 KG da indumentária que caracteriza o caboclo de lança. “Olhe, pra aguentar 8 horas de viagem até aqui e o peso dessa roupa é porque eu tenho muito gosto pelo o que faço. Eu lhe digo uma coisa, aquilo que a gente faz com gosto, não se tem dor”, ensinou Seu Luiz, que encontra no maracatu a sua redenção, a qual transforma em herança cultural e social. Pois o Mestre Luiz Caboclo tem a certeza que, com a ajuda do Estrela de Ouro, vem ajudando muitos jovens a se desviar do caminho das drogas.


“Eu sei de uma coisa: a gente tem que lutar pelo que é nosso, pelo o que é da nossa gente, e essa brincadeira aqui tem evitado que muitos acabem no caminho errado”, destacou o mestre do Estrela de Ouro, com o peito cheio de orgulho por ter iniciado no maracatu aos 13 anos, também estimulado pela família. Hoje, Seu Luiz atesta a vivacidade da tradição popular diante a pujança do folguedo que lidera: “Estou à frente de um maracatu que tem 50 anos de vida e 183 componentes, aqui para Serra Talhada a gente só trouxe um aperitivo”.


 AUDIOVISUAL


Dentro da programação noturna do 9º Encontro das Culturas Populares e Tradicionais, além do show de palco onde brilhou o cantor Silvério Pessoa, ganhou destaque nesta quarta-feira (26) a produção audiovisual sertaneja, numa noite dedicada somente a filmes montados e dirigidos por realizadores do Sertão do Pajeú. Um deles é Carlos Silva, 27, que não escondeu a satisfação em participar de pelo menos quatro produções exibidas no Centro de Artes e Cultura do bairro da Caxixola, em Serra Talhada.


“É satisfatório demais, porque a gente vê o trabalho da gente valorizado num evento dessa magnitude, isso para mim é a realização de um sonho já que dedico a minha vida somente à cultura”, festejou Carlos Silva, mostrando com orgulho o leque de filmes que ajudou a criar, uns como diretor, outros somente atuando. Até o próximo sábado (28), o 9º Encontro das Culturas Populares e Tradicionais segue com uma programação recheada de filmes exibidos gratuitamente no CEU das Artes.


FÓRUM DAS CULTURAS POPULARES


Um dos pontos altos da noite desta quarta-feira (25), no 9º Encontro das Culturas Populares e Tradicionais foi a abertura do Fórum Nacional das Culturas Populares que vai mobilizar dezenas de produtores culturais de diversas partes do país na discussão de políticas públicas para a cultura nos próximos anos. A mesa de abertura foi composta pelo secretário de Articulação Institucional do Ministério da Cultura (Minc), Vinícius Wu, pela secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, Ivana Bentes, o prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque, o secretário municipal de Cultura, Anildomá Willams, a presidente da Fundação Rui Barbosa, Lia Calabre e o diretor do Departamento do Patrimônio Imaterial do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artísitico Nacional), TT Catalão. 


Em suas intervenções, cada um destacou a importância do fórum ter chegado até o interior do Brasil, onde é situada Serra Talhada, vendo esta iniciativa como um ação positiva do Ministério da Cultura em tentar aproximar cada vez mais as discussões culturais da agenda do dia a dia, de cidades de pequeno e médio porte.


“Esse fórum é a afirmação da dignidade e da força da cultura brasileira. E estamos fazendo aqui em Serra Talhada, não por outro motivo, mas para buscarmos uma aproximação com esse Brasil distante dos grandes centros e de onde se concentram boa parte dos investimentos públicos e privados na cultura, distante de onde se decide muitas vezes as questões culturais. Estamos aqui lembrando a resistência histórica do cangaço, das culturas de matrizes africanas aprendendo com o legado da resistência popular e cultural do povo brasileiro”, destacou Wu.


O fórum vai tentar projetas ações para enfrentar os desafios culturais dos próximos dois anos, entre eles as revisões do Plano Nacional de Cultura, planos setoriais a e realização da 4ª Conferência Nacional de Cultura, entre outros. O prefeito Luciano Duque ressaltou a ousadia do Ministério da Cultura em trazer fórum e 9º Encontro para o sertão brasileiro. "Foi uma ousadia muito grande num momento em que a gente vive, cinco anos de seca e dificuldades, mas acima de tudo o nordestino é forte e a gente vai ajudar a construir com vocês um modelo de cultura para o país, porque a cultura é que faz a resistência do nosso povo".

Por Giovanni Sá


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